Essa Mudança Me Fez Parar de Descontar Tudo na Comida

Meu prato já foi o depósito de todas as minhas emoções não resolvidas. A raiva do meu chefe virava um pacote de batatas fritas. A ansiedade sobre o futuro se transformava em uma barra de chocolate devorada em minutos. A solidão de uma noite de domingo era “curada” com uma pizza inteira.

Eu vivia em um ciclo exaustivo: sentia algo desconfortável, usava a comida para anestesiar esse sentimento e, logo depois, sentia a culpa por ter comido em excesso. O problema original continuava lá, agora acompanhado por um novo fardo. Eu sabia que precisava parar, mas não sabia como.

A mudança que me libertou não foi uma dieta, um aplicativo ou uma regra. Foi aprender a fazer uma única coisa que eu nunca tinha tentado: em vez de comer o que eu sentia, eu comecei a nomear o que eu sentia.

A Fuga que Nunca Funciona

Descontar na comida é uma tentativa de fuga. É um atalho que usamos para não ter que lidar com um sentimento difícil. O problema é que esse atalho sempre leva a um beco sem saída. A comida oferece um alívio químico e momentâneo, mas a emoção real, a raiz do problema, continua intocada, esperando a próxima oportunidade para se manifestar.

A verdadeira mudança começou quando eu me permiti parar no meio do caminho para a geladeira e fazer a pergunta mais importante: “O que eu estou sentindo de verdade neste exato momento?”

O Poder de Nomear a Emoção

No início, era difícil. As respostas eram vagas: “estou mal”, “estou pra baixo”. Mas com a prática, comecei a ser mais específico.

  • O “mal” virou “estou me sentindo sobrecarregado com o trabalho”.

  • O “pra baixo” se transformou em “estou me sentindo solitário e com saudade da minha família”.

  • A “vontade de comer tudo” era, na verdade, “estou com medo de não dar conta das minhas responsabilidades”.

A neurociência chama isso de “rotulação de afeto”. Quando você coloca um nome específico em uma emoção, algo mágico acontece: a intensidade dela diminui. Você tira a emoção do campo do “monstro assustador e sem nome” e a traz para o campo do “problema identificável”. E problemas identificáveis têm soluções.

Criando um Novo “Cardápio” de Soluções

Uma vez que a emoção tinha um nome, eu podia me perguntar: “Ok, se estou me sentindo sobrecarregado, o que, além de comida, poderia me ajudar agora?”.

E assim, eu comecei a criar um novo cardápio, um cardápio de autocuidado:

  • Para a Sobrecarga: Uma caminhada de 10 minutos, ouvir 3 músicas que eu amo, ou simplesmente fechar os olhos e respirar fundo por 1 minuto.

  • Para a Solidão: Ligar para um amigo, ver fotos antigas, escrever uma mensagem para alguém querido.

  • Para o Medo e a Ansiedade: Escrever meus medos em um papel, fazer uma lista de tarefas realista para o dia seguinte, tomar um chá quente.

Isso não significa que eu nunca mais comi por emoção. Significa que agora eu tenho escolha. A comida deixou de ser minha única ferramenta para lidar com a vida. Ela voltou a ser apenas… comida.

Essa mudança não foi sobre ter mais força de vontade. Foi sobre ter mais autoconsciência e autocompaixão. Foi sobre entender que minhas emoções não eram inimigas a serem silenciadas, mas mensageiras que precisavam ser ouvidas. E ao ouvi-las, eu finalmente encontrei a paz que nenhuma comida no mundo poderia me dar.

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