Por anos, meu manual para uma “vida saudável” tinha apenas um verbo: cortar. Cortar o açúcar, cortar o carboidrato, cortar a gordura, cortar o prazer. Eu vivia com uma tesoura imaginária na mão, podando cada pedaço de alegria que a comida ousava me oferecer, acreditando que a disciplina era o único caminho para o corpo que eu desejava.
Mas cada corte me deixava mais faminto. Não de comida, mas de algo que eu não sabia nomear. Cada alimento “proibido” que eu vencia pela força de vontade se transformava em um desejo avassalador mais tarde, resultando em compulsão, culpa e a promessa de “recomeçar” na segunda-feira.
Eu estava exausto dessa guerra. E foi na rendição que encontrei a resposta. O primeiro passo nunca foi sobre cortar. Era sobre sentir.
A Fome que Não Mora no Estômago
Eu comia por ansiedade, por tédio, por tristeza, para celebrar, para me punir. A comida era minha anestesia, minha recompensa, minha companhia. E ao tentar simplesmente cortá-la, eu estava ignorando a verdadeira raiz do problema. Eu estava tentando silenciar um mensageiro sem ler a mensagem que ele trazia.
A grande virada de chave foi me permitir fazer a pergunta mais assustadora de todas: “O que eu estou sentindo agora?”.
Antes de abrir a geladeira no meio da tarde, eu parava por um segundo. Respirava fundo. E tentava nomear a emoção.
Era fome física, com o estômago roncando?
Ou era o peso do estresse do trabalho?
A solidão de um dia silencioso?
A frustração por um plano que deu errado?
No começo, era difícil. Muitas vezes, a única resposta era “não sei”. Mas a prática de pausar e perguntar já era, em si, revolucionária.
A Comida como Ferramenta, Não como Inimiga
Ao começar a entender minhas emoções, a comida mudou de papel. Ela deixou de ser a vilã para se tornar uma das muitas ferramentas que eu tinha para lidar com a vida.
Para a ansiedade, descobri que uma caminhada de 15 minutos ou uma xícara de chá de camomila eram mais eficazes do que um pacote de biscoitos.
Para o tédio, aprendi a ligar para um amigo, ler um capítulo de um livro ou ouvir uma música animada.
Para a tristeza, percebi que me permitir chorar ou escrever sobre o que sentia era mais reconfortante do que qualquer pote de sorvete.
Isso significa que nunca mais comi por emoção? Claro que não! Eu sou humano. A diferença é que agora eu faço isso com consciência. Hoje, se eu decido comer um pedaço de bolo porque tive um dia ruim, é uma escolha. Eu sei o que estou fazendo e por quê. Não há mais o piloto automático, a culpa e a vergonha que vinham antes.

Como Começar a Sentir?
Se essa história ressoa em você, saiba que esse caminho está disponível para todos. Não requer nada além de coragem e gentileza consigo mesmo.
Pause e Respire: Antes de cada refeição ou quando sentir um desejo súbito, pare por 10 segundos. Apenas respire.
Pergunte-se: “O que eu realmente preciso agora?”. Não julgue a resposta. Apenas ouça.
Seja Gentil: Este é um processo de aprendizado. Haverá dias fáceis e dias difíceis. Acolha todos eles. A perfeição não é o objetivo; a consciência é.
Deixar de cortar e começar a sentir não me deu apenas paz com a comida. Deu-me paz comigo mesmo. Ensinou-me a navegar pelas minhas emoções, a cuidar das minhas necessidades e a viver de forma mais autêntica e presente.
Afinal, a jornada mais importante é sempre a que fazemos para dentro.
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