A “Receita” Que Me Fez Parar de Comer Por Emoção

Por anos, a comida foi minha resposta padrão para tudo. Estresse no trabalho? Chocolate. Tristeza? Sorvete. Tédio? Um pacote de salgadinhos. Eu comia não para nutrir meu corpo, mas para silenciar minhas emoções. Era um ciclo vicioso: o sentimento vinha, eu comia para anestesiá-lo, e depois vinha a culpa, que só piorava tudo.

Eu tentei lutar contra isso com força de vontade, com dietas restritivas, com promessas vazias. Nada funcionava. A mudança só começou quando eu parei de lutar e comecei a escutar. E para aprender a escutar, eu precisei de uma “receita”.

Essa receita não leva ingredientes que se come, mas sim ingredientes que se sente. É o ritual de preparar uma xícara de chá com intenção. E foi esse simples ato que me deu a pausa necessária para entender o que eu realmente precisava.

A Fome que Não Era de Comida

A fome emocional é uma fome da alma. Ela não pede nutrientes, ela pede conforto, alívio, distração. O problema é que a comida só oferece uma solução temporária e superficial, que não resolve a causa raiz do sentimento.

A “receita” do chá funciona como um circuito de interrupção. Ela cria um espaço precioso entre o impulso de comer e a ação, e nesse espaço, a mágica acontece.

A Receita do Chá: Um Ritual de Autocuidado

Quando o impulso de comer por emoção surgir, em vez de ir para a geladeira, vá para a chaleira.

Ingredientes:

  • Água

  • Ervas de sua preferência (camomila para acalmar, hortelã para refrescar, erva-doce para confortar)

  • Uma xícara bonita (a sua favorita)

  • 5 minutos de sua atenção plena

Modo de Preparo (O Ritual):

  1. O Ato de Ferver a Água (A Pausa):

    • Enquanto a água esquenta, respire fundo. O som da chaleira é o seu lembrete para pausar. Você não está mais no piloto automático. Você está, ativamente, escolhendo fazer algo por si mesmo.

  2. O Ato de Escolher as Ervas (A Intenção):

    • Abra seus potes de chá. Sinta o cheiro de cada erva. Pergunte a si mesmo: “Do que eu preciso agora?”. De calma (camomila)? De um pouco de ânimo (hortelã)? De um abraço (erva-doce)? Este é o momento em que você começa a identificar a emoção real.

  3. O Ato da Infusão (A Paciência):

    • Despeje a água quente sobre as ervas. Observe a cor se espalhando pela água, o vapor subindo. Espere os 3 a 5 minutos da infusão. Este tempo de espera é um presente. É um momento para apenas ser, sem a necessidade de “resolver” nada. Apenas observe seus sentimentos, sem julgamento.

  4. O Ato de Segurar a Xícara (O Aconchego):

    • Segure a xícara quente com as duas mãos. Sinta o calor se transferindo para você. Este é o conforto físico que você estava buscando na comida, mas de uma forma que te acalma e te hidrata.

  5. O Ato de Beber (A Consciência):

    • Beba o chá lentamente. Sinta o sabor, a temperatura, a sensação do líquido descendo. A cada gole, você está, de forma consciente, se oferecendo cuidado, calor e atenção.

Ao final do ritual, na maioria das vezes, a vontade avassaladora de comer terá passado. Porque você não a ignorou; você a acolheu e a respondeu de uma forma mais profunda e verdadeira. Você deu à sua emoção o que ela realmente pedia: um momento de cuidado.

Esta “receita” não é sobre o chá. É sobre a pausa. É sobre a intenção. É sobre a descoberta de que você tem, dentro de si, a capacidade de se acalmar e se confortar, sem precisar de nada além de um pouco de água quente e da sua própria e gentil atenção.

Você já tentou usar um ritual para lidar com suas emoções? Qual seria a sua “receita” de autocuidado? 👇

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